Vocês se lembram da emissão em tecido comemorativa ao Centenário do Corinthians, lançada em 2010? Para refrescar a memória, seguem as imagens das quadras:
A nossa Casa da Moeda, que vez ou outra apronta alguma lambança com nossas emissões postais, confiou a produção desses selos a uma empresa fundo de quintal e deu no que deu: parte das quadras foram entregues sem o tecido unindo os selos. Foram produzidos como a imagem à esquerda, mas uma funcionária infeliz da empresa terceirizada, na produção da segunda remessa entendeu que deveria retirar o tecido entre os selos. E não foi só isso: muitas duplas ou quadras têm os selos quase soltando e no verso, em boa parte deles, o papel enrugou.
Os nossos Correios deveriam ter recusado a segunda remessa e exigido a produção correta, mas sempre que a Casa da Moeda falha, os Correios aceitam e engolem goela abaixo os erros. Monopólio dá nisso, não é mesmo?
A Casa da Moeda, ou os nossos Correios, deveriam aprender um pouco com os CTT – Correios de Portugal, que capricham na qualidade das suas emissões postais, utilizando várias gráficas e outras empresas para produzi-los. Um exemplo é o bloco comemorativo ao Prêmio de Arquitetura Aga Khan, lançado em 2013 (imagem no final), produzido em seda. Vejam os detalhes dessa produção. O texto é um pouco longo, mas vale a pena a leitura:
Foi confiado ao ateliê português Folk Design a tarefa de produzir as artes finais dos selos e deste bloco filatélico. Trata-se de um ateliê que colabora com os CTT há vários anos, conhecido pela minúcia e detalhe com que prepara as suas artes finais, já tendo obtido prêmios de design internacionais com as suas criações para os CTT.
Para dar ainda mais importância ao acontecimento e testar as capacidades de organização da Filatelia dos Correios de Portugal, foi tomada a decisão de executar o Bloco Filatélico em causa com uma técnica nunca antes utilizada no mundo: uma impressão a Talho Doce feita em cima de Tecido de Seda.
Esta inovação na utilização de duas técnicas já conhecidas individualmente mas nunca antes justapostas, obrigou a montagem de uma importante operação de logística por toda a Europa, envolvendo, em Portugal, os designers do ateliê português Folk Design e os peritos da Filatelia dos CTT. E ainda: um fornecedor de seda italiano, uma empresa impressora de segurança francesa (certificada pela INTERGRAF), um gravador eslovaco e uma outra impressora de segurança checa para a impressão a talho doce.
A escolha destas diversas opções de fornecedores para este projeto tão especial tem razão de ser. Em primeiro lugar a Cartor Security Printing é a única empresa do mundo de domina a técnica de integração de tecido de seda em papel de selos. Depois, a Itália, que já antes do século 15 mantinha relações com a China através de Veneza, tem criado uma relevante indústria têxtil baseada na seda. Por fim, é na Eslováquia e na República Checa que se encontra uma das mais importantes escolas da Europa de gravação manual em aço e de impressão em talho doce, derivadas de uma tradição de muitos anos.
Este processo complexo é descrito em maior detalhe seguidamente:
As artes finais do desenho do bloco filatélico (uma representação do Castelo de São Jorge) foram aperfeiçoadas em Portugal tendo em atenção que a impressão seria feita em dois tempos. Primeiro a impressão do fundo do bloco, em ofsete e a quatro cores. Posteriormente a gravação em talho doce do contorno do Castelo de São Jorge.
A seda crua foi comprada de um fornecedor de tecidos italianos de alto nível. Foi apresentada em cortes de 80 metros de comprimento, que foram depois cosidos a topo, de forma a serem enroladas em cilindros de 200 metros.
Estes cilindros foram posteriormente enviados para o Norte da França, para a Cartor Security Printing, local onde a seda foi laminada e integrada no papel adesivo que permite a colagem dos selos. Trata-se de um processo industrial que levou vários anos para ser aperfeiçoado entre o fornecedor de seda e o impressor de segurança Cartor, e onde se utilizaram também técnicas derivadas da Alta Costura para atingir os objetivos desejados.
A seda laminada e já integrada no papel autocolante foi então cortada em folhas, que foram criteriosamente escolhidas, sendo reservadas apenas as de melhor qualidade para nelas se proceder a impressão da panorâmica do fundo do desenho, em ofsete e a quatro cores.
Enquanto todo esse processo se desenvolvia na França, foi escolhido um mestre gravador na Eslováquia para realizar o trabalho de gravura manual da placa de aço destinada ao entalhe.
As folhas de selos já impressas a ofsete foram então enviadas para Praga, para a Impressora Oficial dos Correios da República Checa, onde a placa de aço gravada manualmente foi usada para realizar a impressão em talho doce (“recess printing”, o método mais nobre da arte da impressão) do contorno das muralhas do Castelo de São Jorge, tendo como resultado final proporcionar um toque de relevo ao desenho executado.
As folhas com os blocos foram novamente expedidas para a França, onde a Cartor Security Printing executou as operações finais: a perfuração nos locais exatos com a ferramenta de picotar, que permite destacar o selo do fundo do bloco filatélico, a escolha em controle de qualidade, a embalagem e o envio para os CTT – Correios de Portugal.
(Revista Clube do Colecionador – julho/dezembro 2013)
Temos este bloco para venda na Loja. Para acessar, cliquem na imagem…


