Bronca nos Correios: Fechamento das Agências Filatélicas

Depois de mais de um ano de rumores, agora está confirmado: os Correios fecharão todas as Agências Filatélicas.
Tal fechamento faz parte de um projeto de fusão, com o encerramento das atividades em cerca de 250 agências, que serão incorporadas por outras unidades. Segundo os Correios, “o projeto para fusão de agências em todo o país vai tornar a rede de atendimento mais eficiente e melhorar a prestação de serviços à população”.
Alguém acredita nisso? Será que os dirigentes da ECT pensam que vão conseguir convencer alguém que é esta a finalidade da fusão das agências? Por certo, querem enxugar custos, com o consequente aumento das filas nas unidades próximas às que serão fechadas, ou seja, piora no atendimento.
As Agências Filatélicas, que prestam um serviço diferenciado, não serão poupadas. Serão transformadas em “guichês filatélicos” nas agências centrais das respectivas cidades.
O fechamento das agências já começou, mas as Agências Filatélicas deixaram para novembro, logicamente para depois dos eventos filatélicos (nacional e mundial) que acontecerão em Brasília no mês de outubro, talvez pensando em um desgaste menor na imagem da empresa perante a comunidade filatélica.
Tive a oportunidade, em mais de uma ocasião, de sugerir mudanças na rotina de trabalho das Agências Filatélicas, para tornar este segmento mais lucrativo para a ECT. Fui ouvido? Acataram alguma das minhas sugestões? Nem precisa responder, não é mesmo?
Penso que as entidades filatélicas, FEBRAF à frente, deveriam pressionar os Correios para tentar reverter esta decisão. Até agora, só soube da manifestação do amigo Luiz Reginaldo Fleury Curado, presidente da Associação Filatélica e Numismática de Goiás, que mandou a carta abaixo ao presidente da ECT (que, logicamente, não teve resposta, pois este senhor não responde nada):

Ilmo. Sr.
GUILHERME CAMPOS JUNIOR
Presidente da ECT
Brasilia – DF

Senhor Presidente,
É comentário geral que no rastro do fechamento das agências postais haverá também o fechamento das agências filatélicas. Não há como discutir o mérito das reformas anunciadas, para fazer face a anunciada precária situação funcional, administrativa e financeira da ECT, que, confiamos, será superada.
Mas aqui cabem algumas considerações práticas.
A partir de março de 2015 os Correios deixaram de funcionar aos sábados e via de consequência as agencias filatélicas. Era quando mais se vendia selos.
Foram cortados os carimbos de primeiro dia de circulação.
Não mais foram enviados banners às agências filatélicas.
Não mais foram feitos lançamentos postais oficiais.
Foi extinta a excelente revista COFI.
Não foram enviadas para comercialização  as coleções postais de 2015.
Não foram ainda enviadas para venda as coleções postais de 2016.
Aqui em Goiás (onde a nossa sociedade filatélica, fundada em abril de 1960,  chegou a ter 2.000 colecionadores cadastrados) as reuniões foram mudadas para as quartas-feiras, com reduzido número de participantes. Afinal, é no meio de semana de trabalho.
As agências filatélicas representam lucro líquido para os Correios, porque vendem selos postais que nunca serão usados no franqueamento postal. O investimento é mínimo para sua manutenção e o retorno financeiro apreciável.
Seu fechamento será um golpe mortal na difusão da filatelia nacional porque a maioria das entidades filatélicas não  não tem sede ou lugar determinado para se reunir.  E aí, como ficará a imagem institucional da ECT perante a comunidade?
E as oficinas filatélicas com as escolas, que oportunamente vendem selos e até inscrições, alterações de CPF, etc.
E o que é pior, isso acontece quando estão programadas para outubro duas grandes exposições filatélicas, uma delas internacional.
A AF GOIÂNIA, somente oficialmente, tem mais de 30 anos de funcionamento, com real proveito para a ETC e os filatelistas, além dos usuários em geral, que preferem ter suas cartas remetidas com selos postais comprados através dela, além da popularização da impressão dos chamados selos individualizados.
Ainda no caso da AF GOIÂNIA, ela funciona em apenas um cômodo dentro da AC CENTRAL DE GOIÂNIA, não paga aluguel, não possui contas de água ou energia, nem despesas com vigilância. A economia será somente na pequena gratificação de função do empregado, que se comparado com o retorno financeiro e a imagem institucional da ECT, não justifica fechar.
Filatelia também é cultura!

Atenciosamente,
Luiz Reginaldo Fleury Curado – presidente

Como não canso de dar murro em ponta de faca, há uns quinze dias solicitei que seja agendada uma reunião com o responsável pela Filatelia nos Correios, em Brasília. Toda vez que mudam esse responsável, solicito uma reunião, para levar críticas e sugestões. A última que consegui, em outubro de 2015, demorou quase um ano e meio para ser confirmada e nenhuma das minhas sugestões foram acatadas na prática. Mas não me canso de insistir, só torço para que não demore mais um ano e meio para marcarem essa reunião…

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Uma opinião sobre “Bronca nos Correios: Fechamento das Agências Filatélicas

  1. José Carlos Correia Marques

    Estou incrementando o Projeto “Selo na Sala”, onde atenderei este ano meus 32 alunos, 3º ano, todos com seus classificadores, e criando o projeto “O mundo cabe num selo”, para atender outros 60 alunos que são de outras séries, 1º ao 5º anos. Vejo a atitude dos Correios sobre o fechamento das Agências Filatélicas e pergunto: quem está na contramão ?

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