Crônicas Filatélicas

UM HOBBY (QUASE) ESQUECIDO

Nos tempos áureos, diz-se que era de lei toda criança colecionar selos. Hoje não se enviam mais nem cartas. O hobby está quase chegando ao fim. As pessoas deixaram de ver atrativo em uma atividade tão “analógica” como a filatelia, já que diante de todos os recursos multimídias existentes, se tornou irrelevante mandar cartas. Não existe mais espaço para uma prática tão… física.
Eu “herdei” a coleção de selos que minha mãe “juntou” – como ela sempre gostou de frisar já que nunca foi muito estruturada sua coleção – quando tinha uns 8 anos. Era encantador ver aquele monte de figuras coloridas, que a princípio só encantavam pela beleza e pela quantidade, e que só depois, muito depois, encantou pelo significado.
Era literalmente uma viagem ao redor do mundo. Da Inglaterra com seus Machins e a figura respeitável da rainha, a imagens do cotidiano da República do Congo, passando por países que deixaram de existir, ou que só se insinuavam em minha mente a sua existência. Quem aqui já ouviu falar de Saint-Pierre et Miquelon? Eu só conheci através dos selos. E o Protetorado da Boêmia e Moravia? Idem. Eram verdadeiras viagens. Conhecíamos a cultura, a história, os personagens históricos e tudo o que era possível. Era como se conhecêssemos de fato o país. Isso só para ficar nos países, que é a filatelia tradicional, cronológica.
Quando não, fazíamos coleções temáticas sobre determinados temas: aviões, navios, trens, faróis, dinossauros, e uma infinidade de temas – porque existem emissões postais sobre absolutamente tudo! – que nos levavam a estudar ainda mais o assunto escolhido.
E como eu estava dizendo, está em vias de extinção. Não vemos mais filatelistas por aí. Os clubes quase não existem mais, mesmo porque o objetivo principal (além de se cultuar a filatelia) era a interação entre pessoas que compartilham de uma paixão comum, e que com o tempo se tornavam amigos – jurando alguns que em alguns casos essas amizades acabavam até em casamento. Hoje não temos mais isso. Temos sim, amizades feitas a distância, de forma insensível, onde em alguns casos lidamos com pessoas que fingem ser alguém que não são, e que nem ao menos conhecemos a letra; por que até a cartas, como havia dito, com sua poesia natural também deixaram de existir.
Devem existir hoje pouquíssimos filatelistas, como eu, que apesar da derrocada do hobby, continuam firmes na sua paixão. E que sabem que por trás de cada selo, existem muito mais do que recibo de franqueamento, que por trás de cada carta, cada postal existe uma poesia sutil, existem amores, histórias e pessoas. Existem na verdade, toda uma cultura que, infelizmente, está quase acabando.
Bruno C.Crespo
Publicado originalmente no site www.recantodasletras.com.br em 10/11/2017
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Todos os que quiserem compartilhar suas histórias devem escreve-las de maneira simples e envia-las para o Roberto Aniche (robertoaniche@yahoo.com.br) ou para o Paulo Ananias (paulos0101@gmail.com). Fotografias e imagens serão bem vindas para ilustração dos “causos”.
As histórias serão hospedadas no site do Paulo Ananias (www.filateliaananias.com.br) e no do Roberto Aniche (www.robertoaniche.com.br) e publicadas aqui no nosso Informativo. Os textos não serão alterados, a não ser para formatação.
Não serão aceitos textos ofensivos ou depreciativos, sem que isso signifique qualquer tipo de censura.”
Todos nós temos histórias para contar. Escrevam e mandem para eles.

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