Protetores Maximaphil: o sonho de um amante da Filatelia

Poucos de vocês conheceram ou ouviram falar de Antonio Vlademir Justo, conhecido pela maioria por Vlademir.
Filatelista e comerciante filatélico, era mais conhecido pelos comerciantes, principalmente depois que começou a produzir os protetores Maximaphil.
Era um sonhador, tocava vários projetos ao mesmo tempo, intensificados após a sua mudança de São Paulo para Botucatu.
Nos anos 1970 a 1990 adquiria grandes volumes de selos, que pacientemente classificava e preparava cartelas ou lotes para revenda. Nos anos 1980, quando os Correios rarearam a venda de cartões-postais para máximos oficiais, iniciou a produção de máximos não oficiais. Mandava imprimir os postais, colava os selos e carimbava, para revenda. Otimista incurável, produziu vários, em grandes quantidades. Mas aí os Correios, percebendo nesse trabalho do Vlademir uma forma de ganhar uns trocos a mais, passaram a cobrar pela carimbação, inviabilizando a iniciativa.
Matando a curiosidade de muitos, foi desse projeto que surgir o nome Maximaphil, usado posteriormente para os protetores.
O Vlademir não se conformava com o fato de termos no mercado somente protetores para selos importados, caros e difíceis de encontrar. Vislumbrou aí um negócio, mas, mais do que uma forma de ganhar dinheiro, o sonhador queria produzi-los a preços acessíveis e que pudessem abastecer não só o mercado interno, mas também exportar aos países vizinhos.
O projeto evoluiu, não ao ponto de produzir o suficiente para exportação, mas conseguiu suprir o mercado nacional com um protetor que, embora não tenha atingido a qualidade das principais marcas europeias, mostrou-se do agrado dos filatelistas, principalmente por causa dos preços, compatíveis com os bolsos da maioria dos colecionadores.
Não foi um início fácil. Testes com materiais que não se mostraram satisfatórios, descartando muita matéria-prima. Pintura do fundo preto com pistola de tinta, após a soldagem – muitas falhas no fundo preto e vazamentos de tinta para onde ficariam os selos. Hoje a técnica é outra, conseguindo uniformidade e qualidade.
Soldagem que não ficava boa. Muitos reclamam dos frisos nas soldas, mas foi a técnica descoberta para uma solda de qualidade. Não conseguiu chegar à solda fina e lisa dos importados, mas continuaremos pesquisando.
Tentou por inúmeras vezes adesivar o verso, como aqueles que não precisam de cola e que basta umedecer o lado que será colado. Testou não sei quantos adesivos, nenhum deu certo.
Foi muito esforço, muito material perdido, muita pesquisa, até chegar aos Protetores Maximaphil que temos hoje…
Conheci o Vlademir em 2004, quando comprei o primeiro lote de protetores para revenda. Foi amor à primeira vista numa amizade que se intensificou com o passar do tempo. Embora somente quinze anos mais velho que eu, era como um pai. Inúmeras vezes me socorreu em momentos de dificuldades.
Quando ele e sua esposa Norma mudaram-se de São Paulo para Botucatu me propôs uma parceria na distribuição dos protetores. Levou a produção para o interior e todo o material fabricando enviava para mim, que distribuía no atacado e vendia no varejo. Impôs uma condição: que eu comunicasse ao mercado filatélico que tinha comprado a fábrica dele, pois não queria atender comerciantes e colecionadores. Tinha outros projetos para tocar em Botucatu e precisaria concentrar esforços também em outras atividades.
Assim foi feito, uma parceria que durou mais de dez anos. Até que o destino pregou uma peça e o Vlademir contraiu uma doença fatal, no final de 2018. Da descoberta da doença até o seu falecimento foram menos de quatro meses.
Antes de ficar doente, para agilizar a produção dos protetores, terceirizava somente a soldagem e ele mesmo cortava e embalava. Trabalho delicado e demorado, mas que, embora tivesse outras atividades, não se furtava a fazer, para poder suprir o mercado.
Com o seu falecimento, nos últimos dias de 2018, a produção praticamente parou. A Norma, sua viúva, passou por momentos difíceis. Além da dor da perda inesperada, tinha vários projetos dele em andamento, que ela precisou dar continuidade. Tínhamos um compromisso informal, que se parassem a produção em Botucatu, a preferência na compra da produção seria minha. Aguardei o tempo da Norma e há poucos dias fechamos o negócio, trazendo de lá os equipamentos e materiais disponíveis.
Darei continuidade agora a este projeto do meu amigo Vlademir. Não é tarefa fácil. Nem se obtém grandes lucros, como muitos podem imaginar. Afirmo para vocês que mais da metade do preço de venda é consumido na mão-de-obra necessária para soldagem, corte e empacotamento.
Mas ele conseguiu, temos no mercado um protetor de boa qualidade com preços compatíveis aos bolsos dos filatelistas brasileiros.
Agradeço ao Vlademir, em meu nome pela confiança, e em nome da Filatelia Brasileira pela conquista!

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3 opiniões sobre “Protetores Maximaphil: o sonho de um amante da Filatelia

  1. Muito bom amigo Júlio, não conhecia o Sr Wlademir e sua história. A Filatelia agradece as iniciativas desse senhor no desenvolvimento da Filatelia brasileira. E sucesso nesse novo rumo do Maximaphil. Abraço, Paulo Ananias

  2. Luiz Oliveira

    Boa informação, pra mim novidade. Achava que o nome do criador do Maximaphil tinha um sobrenome estrangeiro.

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